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Vídeo comunitário contemporâneo no Brasil: juventude e processos educativos

Data: 07/01/2011
Foto: Divulgação

Artigo Juliana Leonel

Os primeiros registros de experiências envolvendo a produção audiovisual de grupos e comunidades no Brasil são do início da década de 80. Estava em jogo a produção de um tipo de imagem dos grupos sociais diferenciada da emitida pela televisão. Os grupos em atividade trabalhavam sob uma concepção militante e coordenados nacionalmente em um movimento pelo vídeo popular, que envolvia principalmente comunicadores e educadores sociais direcionados para as práticas dos partidos políticos de esquerda, sindicatos e outros movimentos populares (SANTORO, 1989).

A partir de meados dos anos 90 há uma debilitação dos vínculos do vídeo popular com estes movimentos de esquerda no país. Em compensação as iniciativas audiovisuais se voltam para ações locais e começam efetivamente a passar a câmera para a mãos da comunidade. A grande mudança pos-vídeo popular perceptível e que cria e fundamenta a noção definidora de audiovisual comunitário se sustenta principalmente pelo aspecto da realização coletiva. Para possibilitar a apropriação da tecnologia pelos membros das comunidades foi necessário criar processos formativos. E esta dimensão da formação instaurada no âmbito das proposições com vídeo e grupos tem um papel relevante no direcionamento das experiências atuais.

Na última década (2000-2010) principalmente fomentado por políticas públicas, o país experimenta um aumento significativo de iniciativas de formação e produção audiovisual comunitária. Não há proposições concertadas ou um discurso unificador claro, mas podemos falar em bases comuns compartilhadas por estas experiências.

Pesquisa realizada pela equipe de organização do livro Audiovisual Comunitário e Educação mostrou que cada vez mais as iniciativas em atividade investem na dimensão formativa com as comunidades, se conformando como espaços de educação informal. Há claramente um perfil sócio-educativo comum às experiências.

Segundo estudos acadêmicos 76% das iniciativas estão prioritariamente direcionadas ao público jovem das periferias dos grandes centros urbanos, principalmente da região sudeste. Uma característica marcante declarada pelas experiências é a utilização da gestão participativa. É considerado fundamental a participação dos grupos nos vários momentos da formação e produção. Apenas 5,2% das iniciativas pesquisadas afirmaram não desenvolverem processos participativos.

Podemos dizer que este aspecto da participação foge aos modelos baseados na pedagogia escolar tradicional. A aposta na gestão compartilhada dos projetos sociais objetiva fomentar a compreensão, pelos participantes, do sentido dos processos vividos. Por meio de assembleias, rodas de debates e outros métodos e técnicas, as práticas constituem-se como rituais de aprendizagem, avaliação e planejamento com códigos inovadores, que exigem relações coletivas e face a face.

A nosso ver, as iniciativas de audiovisual comunitário apresentam uma valorização do que Marta Souto (1993) chama de pedagogia do grupal, o que vai além das tradicionais metodologias de trabalho em grupo. A autora entende o grupal como pluralidade de indivíduos em copresença para realizar algo. O grupo é tomado como uma unidade não simplificada, mas múltipla e composta de uma diversidade interna. Na perspectiva de Souto, é desde o grupal que se constrói uma integração não reducionista das situações, a qual inclui o nível individual de participação e aprendizagem.

Muitas ações escolares tendem a não incluir as interações como fator de interesse. Frequentemente elas operam no nível individual e não atendem as características do conjunto. As práticas encontradas em diversas iniciativas de audiovisual comunitário parecem propor o âmbito grupal como o mais adequado para embasar as situações formativas. Há uma espécie de devir grupal atravessando várias experiências pesquisadas que apresentam possibilidades de autorreconstrução e de auto-organização, de forma aberta e flexível.

Este devir grupal é reforçado pelo ancoramento teórico das atividades nas ideias do educador brasileiro Paulo Freire. Mais da metade das iniciativas encontradas desenvolvem suas atividades de maneira original e independente de referencias teóricas formais. Porém dos projetos que mencionaram referencias teóricas 80% apontaram utilizar a pedagogia essencialmente democrática de Paulo Freire.

A partir desta perspectiva freiriana revisita-se o que é conhecido, comum, local e ordinário para reinventá-los. O universo pessoal e cotidiano dos participantes é o ponto de partida das atividades propostas aos grupos. É essa também a base da relação estabelecida com a técnica audiovisual. Busca-se uma valorização da criação artística indagatória; do pensamento audiovisual em detrimento de uma abordagem tecnicista.

Acreditamos que o movimento audiovisual comunitário contemporâneo instaura um novo projeto pedagógico e político para e com a juventude, cuja principal riqueza reside nos formatos de relações sociais que instauram. Este conjunto de experiências relativamente recente e os espaços de formação criados por elas vem potencializando novas formas de atuação juvenil. Por meio da produção de vídeo, os jovens egressos de processos formativos em comunicação comunitária, vem recriando suas possibilidades de entrada nas esferas culturais e políticas, em um movimento dinâmico marcado pela invenção constante.

Referências:

SANTORO, L. F. “A imagem nas mãos: o vídeo popular no Brasil”, São Paulo, Summus Editorial, 1989.
SOUTO, Marta. Hacia una didáctica de lo grupal. Buenos Aires: Miño y Dávila, 1993.

Perspectivas Culturais 2011

Data: 07/01/2011
Foto: Arquivo Pessoal

A partir do novo quadro de ministro e secretario estadual de cultura, a sociedade civil analisa o cenário para 2011/2014, observando a continuidade das propostas de aprimoramento dos incentivos fiscais e das políticas públicas para o setor. Tais mudanças ampliam as perspectivas do campo de atuação cultural de profissionais especializados ao longo dos últimos 20 anos.

Portanto, é oportuno que os gestores, produtores e agentes culturais façam uma reflexão em relação aos seus papeis e funções na cadeia produtiva cultural.

A cultura pode ser financiada por outras fontes que não somente os incentivos fiscais e os fundos? Precisamos exclusivamente de mecanismos públicos de incentivo fiscal? Podemos ser respeitados como uma economia que gera circulação financeira por meio da arte?

Para que a cultura seja acessível a todos, é importante integrar ações culturais à educação como estratégia para formação de público. O que é necessário para cada indivíduo é uma questão própria e exclusiva de cada um. Então, qual a função do Estado neste contexto? Como e porque o Poder Público devem despertar e promover o interesse “de cada um” para a arte?

As listas de projetos aprovados nas leis de incentivo em todos os níveis revelam que as propostas selecionadas têm perfil de mercadológico, enquanto manifestações tradicionais de cultura, como o folclore e o artesanato e, na outra ponta, as pesquisas de novas linguagens e manifestações experimentais, têm maior dificuldade em obter aprovação. Quando aprovadas, enfrentam a resistência de eventuais patrocinadores. Ficam à margem do processo por não oferecerem retorno institucional ou de mídia às empresas incentivadoras, mas o apoio a essas manifestações continua sendo responsabilidade constitucional do Estado. Como serão os critérios para a mudança de incentivo fiscal para os recursos de fundos?

Diante de tais apontamentos, colocam-se algumas questões. Quais as áreas artísticas que se financiam economicamente como produto? Que tipo de produção artística precisa realmente de financiamento público por meio de fundos?

Obtendo esse alinhamento da realidade, pode-se pensar em estratégias e diversificação de ações criativas e inovadoras para que a cultura não ficar totalmente dependente do Estado. O objetivo é que algumas áreas da cultura tenham uma vida autônoma, não excluindo a parceria com o Poder Público.

O cenário mercadológico encontra-se em processo de concentração de recursos para ações que ofereçam visibilidade. Ativando os fundos para as áreas e projetos que necessariamente precisam ser mantidas pelo Governo, as demais ações, projetos e produtos buscarão no mercado o seu financiamento.

Obviamente, o estado é peça fundamental na determinação de ações. Mas é necessário que outras fontes de financiamento sejam desenvolvidas e difundidas.

É de se salientar e parabenizar as discussões setoriais realizadas no âmbito federal, estadual e municipal, porém ainda não ocorreu a intensificação do diálogo no que refere à cultura, entre os três poderes. Uma interação e o diálogo entre estes atores, independente de partidos e crenças políticas, seria de grande valia para a cultura nacional.

O Ministério da Cultura dedicou-se, durante os oitos anos do Governo Lula, a uma reestruturação baseada na coleta de informações, formulação de um novo sistema cultural, o Pró-Cultura, e no fomento do diálogo entre as três instâncias públicas. Minas Gerais também apresentou mudanças nos editais da Lei de Incentivo e do Fundo. Agora é o momento da sociedade civil se apropriar dessas conquistas. Enfim, espera-se que a perspectiva para o próximo ano seja de adaptação às novas propostas práticas de desenvolvimento da cultura.


Patricia Lamego Carvalho
Gestora e Coordenadora do Instituto Artivisão

 


Pesquisa inédita revela como o brasileiro avalia sua saúde e bem-estar e aponta que maioria está otimista com o futuro

Data: 05/11/2010
Foto: arquivo

Tempo livre com a família é um dos fatores apontados como responsável pelo sentimento de saúde e bem-estar. Em contrapartida, um terço dos brasileiros sofre de privação do sono e quase metade se considera acima do peso e estressado.

São Paulo (SP), Brasil, 2010 - Descobrir se o brasileiro está satisfeito com sua saúde e com seu bem-estar. Esse foi o desafio enfrentado por uma pesquisa inédita realizada pela Philips, em parceria com o Instituto Ipsos. Os resultados apontam que a maioria dos brasileiros (71%) sente que sua saúde e bem-estar são bons ou muito bons e que estão felizes com suas vidas e otimistas com relação ao futuro.

No entanto, o sentimento de satisfação contradiz o real estado de saúde e bem-estar. Um terço dos entrevistados, por exemplo, sofre de privação do sono, mais da metade de quem respondeu à pesquisa (53%) sente que sua privação de sono tem impacto sobre a saúde mental e física e 48% sobre o desempenho no emprego. Além disso, 46% dos brasileiros se consideram acima do peso e a boa parte dos entrevistados (36%) se diz estressada.

A pesquisa investigou como os brasileiros se sentem em relação a um conjunto de aspectos importantes da vida (saúde física e mental, relacionamento, trabalho, vida social, peso, salário, entre outros) e o quanto esses aspectos interferem para seu sentimento de saúde e bem-estar. Um levantamento está sendo realizado em diversos países pelo Philips Center para Saúde e Bem-Estar e o Brasil, até o momento, é o único país da América Latina que realizou o estudo.

Apesar da satisfação da maioria, os números mostram que o índice de contentamento é mais alto para homens (76 %) do que para mulheres (66 %). Elas apontaram índices mais baixos de satisfação em todos os aspectos questionados, como trabalho (40% das mulheres estão satisfeitas contra 48% dos homens), estado físico (44% das mulheres X 56% dos homens) e sensação de bem-estar (56% das mulheres X 58% dos homens). De forma geral, a pesquisa também indica que as áreas mais insatisfatórias apontadas pelos brasileiros são as que dizem respeito ao emprego e à integração com a comunidade. Um dos resultados levantados mostra, por exemplo, que os brasileiros são mais felizes com seus amigos e na vida em família. Ainda de acordo com a pesquisa, a saúde física dos familiares, por exemplo, tem maior impacto na percepção de saúde e bem-estar do brasileiro, bem como o relacionamento com o cônjuge ou parceiro e a família, apetite e estresse.

Olhando para as diferenças por classes sociais, a pesquisa aponta que as classes AB e C mostram resultados de índice muito semelhantes em todos os aspectos, exceto a vida em comunidade. Já as classes DE mostram as pontuações mais baixas em comparação às demais classes em todos os aspectos, especialmente para empregos (37%). De modo geral, os brasileiros (classes AB e C) se sentem melhor ou tão bem quanto a cinco anos. Com os dados atuais da pesquisa, é possível entender que para as classes DE, uma leve melhora (de 39% para 49%) foi percebida no último ano, em comparação com os últimos cinco. Pode-se dizer, então, que a vida do brasileiro vem sofrendo uma tendência de melhora. Com relação às regiões, todos os índices são mais baixos, em média, para o Nordeste, comparados a outras regiões.

Relação mais próxima
A Philips quer se aproximar dos seus consumidores no mundo todo, por isso a realização da pesquisa ajudará a entender melhor como pensa a população dos países em que a empresa atua. “No Brasil, além de conhecer melhor as pessoas, a Philips tem interesse em fomentar o debate sobre saúde e bem-estar e isso possibilitará que toda a sociedade seja envolvida nessa discussão, ajudando a apontar alternativas e conscientizando os envolvidos da importância de se pensar nessas questões”, argumenta o presidente da Philips do Brasil, Marcos Bicudo.

Entre os principais objetivos do estudo está a identificação das atitudes dos cidadãos brasileiros no que se refere a sua saúde e seu bem-estar. A Philips vem passando, nos últimos anos, por um processo global de reposicionamento, por meio do qual busca ser reconhecida pelo mercado e seus consumidores como uma empresa de saúde e bem-estar, fornecedora de soluções para cuidados com a saúde, eficiência energética e estilo de vida. As informações levantadas pela pesquisa darão suporte à publicação do “The Philips Index: State of a Nation, Brazil”, documento que reunirá os principais pontos levantados pela pesquisa e, após uma análise, buscará respostas e alternativas de atuação aos problemas apontados, dentro das suas três áreas de negócio.

“Acreditamos que podemos contribuir muito com o País, ajudando a identificar problemas e apontar soluções, além de possibilitar que ofereçamos as melhores soluções em saúde e bem-estar, especialmente para o acesso a saúde e eficiência energética, de acordo com a necessidade da população”, afirma Bicudo.

De acordo com Bicudo, é muito importante para a Philips entender que os brasileiros acham que passar tempo relaxando em casa ou com amigos e família contribui para melhorar seu sentimento de bem-estar. A pesquisa indicou que ter hobbies e praticar esportes também são maneiras populares de intensificar sentimentos de bem-estar, principalmente entre os homens. Outra informação relevante é que os mais velhos (55 anos ou mais) mencionam que consultam um profissional para sua saúde mental mais do que os mais jovens, como forma de melhorar sua sensação de bem-estar.

“As informações são muito interessantes. Por exemplo, os homens tendem a ter mais hobbies, praticar mais esportes e ir à academia mais vezes que as mulheres. As mulheres, por sua vez, preferem passar mais tempo em casa e com amigos e família, e procurar a ajuda de um profissional para sua saúde mental, quando comparadas aos homens”, destaca.

A pesquisa foi realizada por meio de questionários via internet, respondidos por 875 pessoas, de 11 a 19 de fevereiro de 2010. O público pesquisado abrangeu homens e mulheres, divididos pelas classes sociais AB, C e DE, nas cinco regiões brasileiras e entre as seguintes faixas etárias: 16 a 24 anos, 25 a 34 anos, 35 a 44 anos, 45 a 54 anos, 55 a 64 anos e 65 anos ou mais. “Isso nos permitiu ter um amplo panorama do sentimento da população em relação à sua qualidade de vida em diversas situações sociais e econômicas, respeitando as diferentes idades e culturas”, avalia Bicudo.

Philips Index no mundo
O Philips Index está sendo realizado em 23 países, como Estados Unidos, Reino Unido, China, França, Espanha, Holanda, Bélgica, entre outros. Pelo fato de a pesquisa estar sendo realizada em tantos outros países, o estudo também forneceu dados comparativos para compreender melhor todas as culturas e ensinar à Philips quais devem ser os focos de atuação em cada país.

De uma forma geral, comparando EUA, Brasil, China, Espanha, França, Holanda e Bélgica, os americanos são os que se sentem melhor com relação à sua saúde e ao seu bem-estar: 74% disseram ter um sentimento bom com relação a esses fatores. Em seguida, estão os brasileiros (71%), os espanhóis e os belgas (70%), os franceses (68%) e os holandeses (67%). Já dos chineses, apenas 34% disseram ter uma sensação boa sobre sua saúde e seu bem-estar.

Olhando-se, porém, para índices relativos a qualidade do sono, sobrepeso e estresse, a pesquisa apontou diferenças significativas. Os americanos são os que se consideram mais estressados (79%), seguidos dos chineses (69%) e dos belgas (81%). Os brasileiros são um dos povos que se consideram menos estressados (36%), ficando atrás apenas dos espanhóis (35%). Já os franceses lideram o grupo dos que dormem mal (45%), seguidos pelos belgas (40%). Dos americanos ouvidos, 37% disseram que não dormem bem. Os brasileiros estão logo depois dos EUA, com 36%, seguidos de Holanda (33%), China (30%) e Espanha (24%).

Entre Brasil, Estados Unidos e China, os brasileiros são os mais satisfeitos com a sua saúde física, mas são os que menos se sentem responsáveis pela própria saúde e os que menos fazem check-ups anuais com médicos. No entanto, consideram-se mais acima do peso (46%) do que os americanos (39%). Os chineses são os mais críticos com relação a esse item: mais da metade da população (55%) afirmou considerar-se acima do peso. A Holanda e a Bélgica estão logo em seguida, com 51%, à frente apenas da França (49%) e da Espanha (38%).

Sobre o Instituto Ipsos
A Ipsos é referência mundial em pesquisa de mercado e interpretação de dados. Criada em 1975 na França, presente no Brasil desde 1997, consolidou-se como uma das maiores empresas de pesquisa do mundo, estruturando-se por meio de áreas especializadas, com profissionais altamente qualificados em estudos de tendências e mercado.

Possui escritórios em 64 países e realiza pesquisas em mais de 100. Atualmente atende mais de 5.000 clientes no mundo e possui mais de 8.000 funcionários. No Brasil, com a aquisição da Alfacom, conta com quase 600 funcionários diretos, sendo a maior empresa de pesquisa ad hoc.

A Ipsos Public Affairs é uma divisão do Grupo Ipsos especializada em estudos de imagem, reputação corporativa, estratégias de relacionamento institucional e estudos de temas socialmente relevantes junto à população.

Sobre a Philips do Brasil
A Philips do Brasil é uma subsidiária da Royal Philips Electronics da Holanda e atua no País há 86 anos. Líder dos mercados locais de eletroeletrônicos, eletrodomésticos portáteis, produtos para cuidados pessoais, lâmpadas, aparelhos de raio X e sistemas de monitoramento de pacientes. Outras informações para a imprensa estão disponíveis no site da Philips do Brasil: www.philips.com.br.

Sobre a Royal Philips Electronics
A Royal Philips Electronics da Holanda (NYSE: PHG, AEX: PHI) é uma empresa diversificada de saúde e bem-estar, com foco em melhorar a vida das pessoas por meio de inovações oportunas. Líder global em cuidados com a saúde, estilo de vida e iluminação, a Philips integra tecnologia e design, ao prover soluções para as pessoas, baseadas fundamentalmente em pesquisas com consumidores e na promessa de marca “sense and simplicity”. Com sede na Holanda, a Philips emprega aproximadamente 116 mil funcionários em mais de 60 países. Com um volume de vendas de 23 bilhões de euros em 2009, a empresa é líder de mercado em soluções para cuidados cardíacos, cuidados com a saúde em casa, soluções eficientes em iluminação e novas aplicações de iluminação, bem como em produtos de consumo e estilo de vida para o bem-estar pessoal, com forte posicionamento em flat TV, barbeadores elétricos, entretenimento portátil e saúde bucal. Mais informações sobre a Philips podem ser encontradas no site www.philips.com/newscenter.


Memórias culturais em permanente construção: novas formas de memórias em ambientes online

Data: 24/08/2010
Foto: Carlos Henrique Falci

*Autor: Carlos Henrique Falci é Doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor do curso de Cinema de Animação/Artes Digitais da Escola de Belas Artes da UFMG, Carlos integra o grupo de pesquisa 1maginári0, voltado para a pesquisa em arte e tecnologia, e a rede Marcel – Multimedia Art Research Centres and Electronic Laboratories, sendo responsável pela área de grupos de discussão relacionados a temas da rede. Vive e trabalha em Belo Horizonte.

O propósito desse artigo é discutir como a criação de memórias coletivas em rede, em ambientes programáveis, provoca o intercruzamento das memórias comunicativas com as memórias culturais e permite o surgimento de novas formas de memória entre os grupos que utilizam esses ambientes. A hipótese é que esses movimentos fazem com que, cada vez mais, a memória cultural se aproxime de uma memória comunicativa. Nesse sentido, as memórias culturais produzidas em ambiente em rede devem ser entendidas como produção permanente de novos acontecimentos, uma vez que a lógica de conexão a que obedecem é um híbrido construído por grupos que existem, também, em função da comunicação mediada pelas próprias redes sociotécnicas.

A lógica do artigo será baseada numa discussão inicial sobre memória cultural, memória comunicativa, e a memória distribuída em ambientes programáveis. Essa argumentação será utilizada para indicar alguns elementos presentes no que denominamos memórias em permanente estado de construção.

O primeiro passo é delimitar os conceitos de memória cultural e memória comunicativa. Para Assman (1995), a memória cultural relaciona-se com todo conhecimento obtido através de práticas sociais repetidas ao longo do tempo, e pode funcionar como elemento que estrutura o comportamento e a experiência de vida de um grupo social. A memória cultural seria caracterizada por ter um horizonte temporal que não muda com o passar do tempo. Ela seria construída pela cristalização de ritos, eventos, acontecimentos, os quais poderiam ter seus significados transmitidos através do tempo. Já a memória comunicativa seria demasiadamente instável para se configurar como uma cultura objetivada, e logo, como elemento capaz de identificar uma coletividade. Baseada na comunicação cotidiana, ela seria caracterizada por um alto grau de não especialização, instabilidade temática e desorganização. Além disso, a principal limitação da memória comunicativa na estruturação da identidade de um grupo social seria seu horizonte temporal limitado, uma vez que o horizonte da memória comunicativa se modifica diretamente com o passar do tempo.

No caso das memórias distribuídas digitalmente, entretanto, o que parece acontecer é uma aproximação entre a memória cultural e a memória comunicativa. Andrew Hoskins (2009) utiliza o termo “on-the-fly”, para caracterizar a memória distribuída em redes digitais. Numa tradução livre, pode-se dizer que essa é uma memória construída permanentemente, na medida mesmo em que está se tornando registro de algo em acontecimento. Em função de se encontrar "distribuída" digitalmente, esse tipo de memória é ativamente construída e reconstruída o tempo todo, ou seja, enquanto está sendo formulada como registro de um acontecimento. Isso se deveria ao alcance das mídias digitais que captam incessantemente o cotidiano. A memória cultural se aproxima cada vez mais do momento de acontecimento dos eventos, numa temporalidade comprimida, provocando um entrecruzamento com as memórias comunicativas. Nesse sentido, os mecanismos sócio-técnicos atuais de registro da memória produzem modificações instantâneas dos fatos registrados, porque os colocam em novas redes de memória a todo momento. E podem surgir daí novas formas de memória, o que denomino memórias culturais em permanente estado de construção. Alguns projetos permitem afirmar que as memórias em rede não desaparecem, ou se tornam por demais efêmeras. Ao contrário, o que parece acontecer é que surgem novas formas de existência para memórias em ambientes programáveis. Projetos como megafone.net, Yellow Arrow, Between Blinks and Buttons envolvem o uso de celulares e a lógica das redes para provocar a criação e a multiplicação de narrativas sobre espaços urbanos, sobre coletividades com pouca ou nenhuma visibilidade social, sobre novas formas de pensar e vivenciar espaços físicos e espaços coletivos a partir de registros fotográficos. Cada projeto envolveu a criação de experiências localizadas ao redor do mundo, mas com a proposta de fazer com que essas experiências se desenvolvessem em rede, ou mesmo criassem redes de contato entre os interessados no conteúdo discutido e produzido por cada grupo social envolvido.

A análise dos projetos permite sugerir pelo menos três elementos-chave para discutir as memórias culturais em permanente estado de construção. O primeiro elemento relaciona-se ao modo como a dinâmica das redes perpassa a construção dos conteúdos produzidos pelos grupos sociais nesses ambientes. O segundo elemento que caracterizaria as memórias culturais em rede baseia-se na lógica do tagging, seja ele físico ou virtual. O terceiro elemento-chave se relaciona às interfaces fluidas utilizadas nos projetos, e o modo como elas participam da produção de conteúdo. Ao permitir o registro cotidiano permanente de fatos, a utilização dos celulares cria uma memória cultural que é atemporal num novo sentido, porque é constantemente atualizável.

Espera-se que a conclusão temporária, aqui produzida, seja capaz de estimular o surgimento de redes de diálogo sobre o modo como a computação mediada por computador produz memórias coletivas, cujo tempo de duração é uma medida da capacidade de conexão entre os grupos que as produzem, uma vez que tais grupos existem em ambientes online.


Terceiro Setor e Construção da Cidadania

Data: 09/07/2010
Foto: Cuia Guimarães

Localizada na fronteira entre o poder público e a iniciativa privada, existe uma zona neutra que, no final do século XX, começou a ser ocupada de forma organizada. Nascida da experiência filantrópica e assistencialista desenvolvida durante anos a fio por entidades públicas e privadas e por indivíduos muitas vezes bem intencionados, esse movimento derivou na ocupação mais sistematizada dos muitos espaços vazios deixados pela inoperância dos governos.

Dessa forma, foi criado o ambiente propício para o surgimento do que veio a ser denominado Terceiro Setor. Formado por organizações que trazem para si a incumbência de atuar nas mais diversas áreas sociais, ambientais, educativas e culturais, desenvolvendo tarefas que, por natureza caberiam ao setor governamental, o Terceiro Setor tem suas atividades financiadas pela iniciativa privada, mas também por recursos públicos das mais variadas origens.

As instituições que formam o Terceiro Setor terminam por ocupar os espaços vazios onde quer que eles existam. Em geral, o Terceiro Setor utiliza dos instrumentos, meios e recursos disponíveis, buscando a melhoria da qualidade de vida, a conscientização ambiental, a inclusão social, a valorização da cultura e do modo de vida das populações e comunidades, entre outros. No campo ambiental é imprescindivel a reflexão sobre a relação entre o Segundo Setor e o Terceiro Setor. É fundamental que as ações e projetos sejam concebidos com a participação real das comunidades e que os mesmos sejam transparentes e alinhados com as politicas públicas. Vale ressaltar a importância da conscientização das empresas privadas e da construção de uma politica ambiental empresarial. Outra questão a ser considerada é a premissa de monitoramento e avaliação das ações, projetos e atividades desenvolvidas tanto pela iniciativa privada como pelas organizações não governamentais. Portanto, as ações, ora planejadas pelas Ongs, ora pelas Empresas, precisam ter o comprometimento em atuar de forma realmente responsável. Assim, é possível favorecer o desenvolvimento econômico e social. Realizar tais ações com seriedade significa rever a agenda do desenvolvimento com eficiência. Para isso, deve-se levar em conta as potencialidades essenciais da realidade, e que, até agora, foram geralmente ignoradas.

Potencializar o capital social e ambiental é uma tarefa complexa que exige o alargamento das possibilidades das políticas ambientais de se integrarem aos esforços voltados para o desenvolvimento econômico promovidos pelos setores privado, público e pela própria da sociedade civil organizada. Isso, naturalmente, implica em aprimorar as áreas de planejamento e gestão por meio de investimentos sistemáticos orientados para a formação de quadros especializados para operarem a gestão com eficiência. Planejamento requer pesquisa, mapeamento, diagnósticos continuados, monitoramento e avaliação, quadros de pessoas
qualificados, desenho de programas estratégicos e menos táticos.

Artigo de Patrícia Lamego de Carvalho - Gestora e Coordenadora do Instituto Artivisão